Fui com minha irmã, que nunca tinha acampado. Os guias explicaram cada etapa com calma: como montar a barraca, como purificar água, onde pisar na descida. No segundo dia, atravessamos um rio com a água na cintura e a sensação de segurança era total porque o Rafael ia na frente checando a profundidade. A comida no acampamento me surpreendeu: arroz com carne seca e farofa de baru, tudo preparado no fogareiro. Voltamos com 400 fotos e uma vontade enorme de repetir.
O que nossos participantes dizem
Depoimentos coletados por e-mail após cada expedição. Publicamos com autorização e editamos apenas erros de digitação.
Eu moro em Brasília há 12 anos e não conhecia essa trilha. Foram 14 km com subidas moderadas e uma descida íngreme até o poço. O guia mostrou pegadas de lobo-guará na lama e explicou o ciclo de queimadas do cerrado de um jeito que fez sentido pela primeira vez. O lanche era simples, mas bem pensado: banana, castanha, barra de rapadura. Cheguei em casa cansado e feliz.
A travessia da Serra da Canastra foi a experiência mais intensa que já tive ao ar livre. Andamos 62 km em cinco dias, com trechos de campo aberto onde o vento batia forte. No terceiro dia, um biólogo que acompanhava o grupo identificou 23 espécies de aves em duas horas de observação. A única ressalva: a segunda noite foi fria demais e o isolante térmico não deu conta. A equipe reconheceu o problema e disse que já encomendou modelos com maior resistência térmica para a temporada de inverno.
Nunca tinha feito rapel. A instrução durou uns 40 minutos e cobriu tudo: como segurar o freio, posição do corpo, comunicação por voz com o guia que ficava embaixo. Desci um paredão de 55 metros com uma cachoeira caindo ao lado. O equipamento estava impecável e cada peça tinha uma etiqueta de inspeção com data. Esse tipo de detalhe me deu confiança para soltar o peso no vazio.
Levei meu filho de 10 anos. Estava receosa, mas os guias adaptaram o ritmo da caminhada e fizeram paradas a cada 45 minutos para ele descansar e observar insetos, pedras, raízes. Na segunda noite, deitamos fora da barraca para ver a Via Láctea e o Rafael explicou como encontrar o Cruzeiro do Sul. Meu filho fala disso toda semana na escola. Valeu cada centavo.
Contratamos para um grupo de 12 analistas da nossa consultoria. O objetivo era tirar o pessoal do escritório e criar interação fora do ambiente de trabalho. A equipe montou um roteiro com desafios em dupla: orientação por bússola, travessia de córrego com corda, montagem de abrigo. No final, o nível de conversa entre colegas que mal se falavam mudou visivelmente. Recomendo para qualquer empresa que queira algo diferente de um happy hour.
Caso em destaque
Travessia Veadeiros: grupo de amigos de Goiânia
Em julho de 2024, oito amigos de Goiânia nos procuraram querendo uma travessia de três dias na Chapada dos Veadeiros. Dois deles tinham experiência de trilha; os outros seis nunca tinham dormido em barraca.
Montamos um roteiro de 34 km dividido em etapas de 10 a 12 km por dia, com paradas em cachoeiras para banho e descanso. No primeiro dia, ensinamos técnicas básicas de caminhada em terreno pedregoso: apoio de bastão, distribuição de peso na mochila, hidratação a cada 20 minutos.
No segundo dia, o grupo fez rapel de 30 metros em uma cachoeira seca. Todos desceram, inclusive a participante que disse ter medo de altura. O terceiro dia terminou com um banho no Vale da Lua e almoço em Cavalcante antes do retorno de van para Goiânia.
Resultado: o grupo deu nota 5 na avaliação, e quatro deles já se inscreveram para a travessia de cinco dias na Serra da Canastra em 2025.
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